A placa aceleradora para Apple II da Tecnobytes
Sim, a Tecnobytes chegou a fabricar uma aceleradora para os microcomputadores da linha Apple II!
Na época eu fazia parte do desenvolvimento de vários produtos da Tecnobytes, como a Classic IDE, também para Apple II, do Expansor de slots para MSX, da V9990 para Amstrad CPC, da própria Tecnowarp entre outros.
A TecnoWarp era uma versão atualizada da TransWarp da Applied Engineering, que foi comercializada nos anos 80 com o objetivo de aumentar significativamente a velocidade de processamento, substituindo o processador padrão de 1 MHz por velocidades de até 3,6 MHz. Elas utilizavam RAM de “alta velocidade” própria e eram compatíveis com a maioria dos softwares.

Imagem -> Wikipedia
Quando a Tecnobytes se propõe a fabricar um periférico baseado em algo já existente, ela sempre coloca o seu knowhow a prova e faz alguma melhoria. No caso da TecnoWarp, além de utilizar componentes muito mais modernos que os originais da década de 80 (pode parecer óbvio, mas clonar 100% uma placa é mais simples e rápido do que inventar moda com novos componentes), o “PLUS” da TecnoWarp era o processador que podia chegar até 7Mhz, o dobro da velocidade máxima da TransWarp (podendo selecionar entre 1Mhz, 3,6Mhz e 7Mhz), uma expansão de 512Kb de memória RAM e o botão “TURBO”, para chavear a velocidade a qualquer momento!

TecnoWarp em ação!
Esse vídeo foi logo após a montagem da primeira TecnoWarp. Já estava bacana, tudo funcionava, havia um botão externo para ativar o “modo turbo”, mas ainda precisávamos de mais alguns recursos. Desenhamos então uma segunda placa, mais robusta e completa, com silk preto, linda! Foto? Pois é, não achei… Qualquer hora eu encontro.
Compatibilidade, o X da questão
O grade problema da TecnoWarp foi a Tecnobytes, e isso não é ruim, acredite. Mas como assim? É que a Tecnobytes não queria soltar a placa sem que ela funcionasse em todos os micros que testasse… e foram muitos! Vários amigos enviavam máquinas pra ajudar nos testes: Unitron, TK3000//e, Apple //e original, Exato Pro CCE e enquanto a placa não rodasse liso com o set de programas selecionado, não seria dado o “OK”… E isso acabou virando uma briga de gato e rato. Estabilizava no TK3000, aí o Exato chiava e vice versa. No Apple original sempre funcionou redondo… mas para terras tipiniquins isso não era o suficiente. Chegamos a enviar algumas poucas unidades para alguns felizardos, com a ressalva de que em certas máquinas, na velocidade máxima de 7Mhz, alguns programas poderiam falhar ou travar. Mas definitivamente esse não é o perfil da Tecnobytes. O projeto acabou engavetado e assim está por mais de 10 anos… Sinceramente, eu não me importaria de ter umas travadinhas de vez em quando não… 😀
Splash Screen Inédita
Por falar em 10 anos, esse também é o tempo que um certo código assembly está guardado esperando para estrear numa TecnoWarp… quem sabe o Oazem não tira a poeira do projeto e monta mais algumas? Vai que ele se anima! Mas tem que ter a Splash Screen! Afinal foram algumas noites bolando e programando essa abertura. Ainda fiz um outro programinha com o menu de configuração da TecnoWarp… Qualquer dia eu posto só de curiosidade…
Ritcho Sam e o Apple II
Prometi pro Brandão que ia contar como eu cheguei no Apple II… então, já que estamos falando de Apple, achei o momento conveniente.
Embora o pessoal sempre me ligue mais ao Commodore Amiga ou até mesmo ao MSX, meu primeiro computador foi um clone de Apple II, o Exato Pro MC-4000! Sem drive, sem expansão… só ele e uma TV preto e branco, isso lá pelo final da década de 80 início de 90.

Imagem -> apple2pro.com.br
E o que dava pra fazer com um micro desses sem pelo menos um drive ou fita cassete? Muita coisa! Afinal de contas tinha uma tela preta com um cursor piscando na minha frente, assim como no início da Splash Screen, e um interpretador BASIC esperando que eu o fizesse trabalhar. E como eu fiz esse carinha trabalhar!
Eu chegava do colégio e já começava a programar meus próprios jogos. Uma tarde inteira programando pra jogar por alguns minutos e depois desligar o micro e perder tudo que eu tinha feito. Que dureza! Mas foi assim que eu comecei a gostar de programar e depois se tornou minha profissão. Nada a reclamar!
Alguns (muitos) meses depois eu ganhei um espetacular TK3000//e. Embora minha mãe tivesse dito pra eu escolher o MSX (na época os modelos disponíveis eram o MSX PLUS e o DDPLUS), eu mantive minha convicção e escolhi o TK3000//e, pra variar, sem qualquer expansão ou drive. Só troquei um Exato Pro cansadinho, cheio de mau contato, por um micro novinho.

Imagem -> anosdourados.blog.br/
Pelo menos dava pra se divertir com a programação de teclas, recurso similar a um COPY and PASTE rudimentar que vinha nesse modelo. Qualquer dia eu faço um vídeo demonstrando. Mas só isso já encarecia o micro uma barbaridade, já que precisava de um Z80A só pro teclado… além desse recurso ainda dava pra acentuar as palavras, coisa difícil na época. Curiosamente o Z80A, utilizado só para o teclado, tinha velocidade de 2Mhz enquanto o WDC 65C02, o processador principal, tinha apenas 1Mhz… 😀
Alguns meses depois, finalmente, ganhei uma interface de drive e um drive de face simples. Pra quem não está familiarizado, a placa mãe do TK3000 (e da maioria dos micros da época) não vinha com uma porta para drive de disquetes, então você precisava comprar uma placa para controlar os discos além, é claro, do próprio drive.


Imagem -> acervo.rotas.ufg.br
Oh bichinho barulhento esse drive! E como eu disse anteriormente, ele era de face simples, ou seja, só tinha cabeçote de leitura de um dos lados, então ele só conseguia ler/gravar dados em uma das faces do disquete! E como contornar isso? Era só tirar o disquete e colocá-lo com a face para baixo, como se tivesse virando um disco no toca-discos para tocar o lado B (eu ia escrever vitrola, mas ia entregar minha idade…). Porém, antes disso era preciso, picotar o disquete! O disquete tem um sistema de trava contra gravações inadivertidas que é um pequeno corte na lateral que, quando coberto, com uma fita por exemplo, impede que os dados sejam gravados no mesmo. Sem esse corte do outro lado, ao inserir o disquete no drive, era como se ele tivesse protegido contra gravações. Sabendo disso, uma empresa criou uma ferramenta para fazer o corte na posição e tamanho corretos. O Picotex!

Imagem -> tabalabs.com.br
Pronto! Um novo mundo agora! Podia escrever meus programas e gravar no disco. Que avanço! Nada de perder tudo ao final do dia e claro, agora tinha acesso aos sonhados joguinhos, afinal de contas, ninguém é de ferro.
Algum tempo depois o Beto30 vendeu seu TK3000//e e se desfez em separado de algumas placas de expansão, dentre elas a placa CP/M, que eu acabei comprando.
Cartão CP/M
O cartão CP/M (frequentemente chamada de SoftCard) servia para tornar o Apple II compatível com o sistema operacional CP/M. Ela assumia o controle do barramento do computador, “pausando” o processador original 65C02 para que o Z80 (que vem na placa! a essa altura o TK3000 já era um triple core! kkkk) pudesse rodar o sistema CP/M usando a memória e os periféricos do Apple.
A partir dai eu já conseguia rodar editores de textos mais profissionais, banco de dados como o DBASE-II além de linguagens de programação como o COBOL, FORTRAN, entre outros!
Mais memória, please!
Mas nada disso funcionava muito bem com apenas 64Kb de memória… então a próxima aquisição seria uma sensacional, totalmente excelente, TK WORKS! Muitas buscas semanais no jornão Balcão até encontrar alguma que coubesse nas minhas e$pectativa$.
A TK Works foi uma das placas de expansão mais importantes produzidas pela Microdigital para o TK3000 //e. Ela era uma versão brasileira (clone) da famosa placa RamWorks, originalmente projetada pela empresa americana Applied Engineering (olha ela ai de novo) para o Apple IIe. A versão que eu consegui, de segunda mão, tinha 256Kb, que somado aos 64Kb do micro, me deixava com assombrosos 320Kb de memória RAM! Ual! Além é claro de liberar o recurso de 80 colunas, o dobro do original (cada linha de texto poderia ter até 80 caracteres). Agora ficava bem melhor pra trabalhar, seja no banco de dados, editor de textos ou mesmo programando. Para ativar as 80 colunas no basic, bastava digitar PR#3 e vualá! Sensacional! 😀
Um detalhe importante na época era que essa placa em específico precisava ser instalada no slot zero do micro, deixando os outros 7 slots livres para as outras expansões.

Imagem -> Wikipedia
Até que…
Depois disso ainda chegou um monitor de fósforo branco (novidade na época) e uma impressora matricial unidirecional usada (argh!). Claro, pra usar a impressora precisa de uma placa! 😀

Imagem -> ML
E esse setup ficou comigo por cerca de um ano… até que vi todos os meus amigos migrando para o MSX… Acabei me rendendo, vendi quase tudo… ainda tenho alguma coisa original aqui comigo, como a placa de CPM e a placa de drive, mas me arrependo de ter vendido o TK3000, afinal era meu desde zero… mas na época não tinha como ter o MSX sem vender o TK… Pq eu não escutei a minha mãe? 😀
Mas foram momentos bem legais com o Apple, inclusive foi no TK3000 que eu ouvi pela primeira vez um trecho de uma música no computador! Alguém digitalizou um trecho de Alive And Kicking do Simple Minds, coisa de uns 5 segundos de música em péssima qualidade e que ocupava todos os 140kb de um dos lados do disquete de 5.1/4! Mas ficou gravado mesmo na minha memória.
Hoje tenho um TK3000//e Compact na coleção, que comprei meio baleado e fui restaurando… Ele já apareceu aqui no AMX. Quem quiser conferir é só clicar aqui!
Qualquer dia eu conto como o MSX surgiu… se foi… e então chegou um outro carinha que nunca mais foi embora.
Hoje todos eles convivem por aqui pacificamente…

















































































































































































